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PF investiga atos de injúria racial durante aula online do campus da UFSM, em Palmeira das Missões

Fatos aconteceram na última semana, durante uma aula virtual do curso de Nutrição

15 de julho de 2020
Campus da UFSM, em Palmeira das Missões (Foto: Divulgação)

Duas instituições federais sofreram ataques racistas durante atividades online na última semana, no RS. De acordo com reportagem do site G1, os fatos aconteceram com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS).

A aula promovida de forma virtual pela UFSM, campus de Palmeira das Missões, no âmbito do curso de Nutrição, ocorreu na segunda-feira, dia 6 de julho. Segundo a professora que organizou o evento, Vanessa Kirsten, cerca de 40 minutos após o início da atividade, um grupo pediu para ingressar na reunião e começou a fazer diversos comentários de deboche e, posteriormente, ameaças aos participantes.

Foi registrada ocorrência na Polícia Federal em Santo Ângelo. Segundo a PF, foi instaurado o inquérito para investigar os fatos. Os crimes investigados serão racismo praticado através de meio de comunicação social, cuja pena prevista é reclusão de dois a cinco anos, ameaça, com pena de detenção de um a seis meses, e injúria racial, com pena detenção de um a seis meses.

A aula abordaria o tema “Saúde e nutrição da população negra”, e tinha como convidada a professora Fernanda Bairros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“Começou a haver uma solicitação muito rápida de várias pessoas e eu acabei aceitando. E eles começaram, então, pelo chat a fazer deboches ‘como assim, não entendi’, ‘então quer dizer que racismo é isso’. Naquele momento a gente verificou que eles tinham intenção de atrapalhar a aula”, explica Vanessa.

“Não posso dizer que foi uma invasão porque o link era aberto e eu permiti a entrada dessas pessoas. Mas no momento em que percebemos que eles queriam atrapalhar o debate, eu solicitei aos participantes que saíssem da aula pois iríamos encerrar”, contou a professora.

Estavam presentes na aula cerca de 40 pessoas, entre professores, alunos de graduação e pós-graduação de diversas universidades.

O reitor da universidade, Paulo Burmann, emitiu uma nota repudiando o fato. Além disso, solicitou que a comunidade acadêmica redobre os cuidados com a segurança e as práticas nos usos de mídias digitais.

Veja a nota completa abaixo:

Nota da UFSM sobre incidente em aula aberta

A universidade se configura como um espaço de diversidade e de construção do conhecimento para a formação de profissionais críticos e reflexivos. O meio acadêmico trilha essa perspectiva, através do diálogo, da tolerância e da ciência, em seus diferentes espaços de debates. Nestes tempos de distanciamento social, devido à pandemia da COVID-19, essas relações foram condicionadas ao uso das tecnologias digitais, para manter a conexão e a comunicação entre alunos e professores, facilitando a continuidade de disciplinas teóricas.

Com muito pesar, nesta semana, em uma aula (com uma palestrante externa e aberta ao público) promovida pela disciplina de Vigilância e Segurança Alimentar e Nutricional do Curso de Nutrição da UFSM – Campus Palmeira das Missões, fomos tomados de surpresa com o ingresso de um grupo organizado de pessoas ostentando linguagem agressiva, de deboche racista, de cunho sexual e de ameaças. Essas pessoas tinham notoriamente o intuito de acabar com o debate científico que acontecia, com mais de 50 participantes. A referida aula versava sobre a relação da diversidade étnico-racial nos determinantes sociais e de saúde da população e foi interrompida, em virtude de tamanho desrespeito em formato de agressão coletiva.

Manifestamos total repúdio a esse tipo de atitude e nossa respeitosa solidariedade a todos e todas que vivenciaram a injustificável situação.

E solicitamos a toda comunidade acadêmica que redobre os cuidados com a segurança em suas práticas e procedimentos com o uso de mídias digitais, com o propósito de evitar o surgimento ou a reincidência de atitudes discriminatórias. Informamos que todas as medidas cíveis e criminais estão sendo tomadas para coibir e responsabilizar os autores dessa deplorável ação, garantindo o acolhimento e o acompanhamento das vítimas.

Paulo Afonso Burmann, Reitor da Universidade Federal de Santa Maria

Fonte: G1-RS e UFSM

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