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Nova Candelária: Produtores aproveitam potencialidades dos dejetos suínos na adubação de pastagens e lavouras

Emater/RS-Ascar orienta sobre o aproveitamento dos resíduos desta atividade

4 de junho de 2021
Após o período de armazenagem e fermentação, os dejetos dos suínos estão prontos para ser aplicados como fertilizantes (Foto: Emater-RS/Ascar)

O município de Nova Candelária, importante produtor de suínos do Noroeste gaúcho, ao reconhecer o valor dos dejetos resultantes da suinocultura tem aproveitado seu potencial a favor de resultados em áreas de pastagem e lavouras de milho. No ano de 2020 foram terminados/engordados 202.539 suínos por 149 suinocultores integrados, sendo a principal atividade na composição da produção bruta primária do município.

Preocupada em promover ações que contribuam com aspectos socioambientais ao mesmo tempo em que estimula a maior produtividade de pastagens e de lavouras, a Emater/RS-Ascar orienta sobre o aproveitamento dos resíduos desta atividade.

Tratamento dos dejetos

O extensionista da Emater/RS-Ascar Elir Paulo Pasquetti explica que na terminação dos suínos há uma grande geração de dejetos, composto por fezes, urina e água da limpeza e estes passam por um processo de tratamento que consiste na armazenagem e fermentação por um período de 90 a 120 dias em esterqueiras impermeabilizadas para evitar a contaminação do ambiente, especialmente lençóis de água subterrâneos. “Esta fermentação tem o objetivo de eliminar os microrganismos causadores de doenças e de acelerar a decomposição da matéria orgânica, deixando os nutrientes dos dejetos disponíveis para serem assimilados pelas culturas quando da sua aplicação no solo”, esclarece Pasquetti.

Após o período de armazenagem e fermentação, os dejetos dos suínos estão prontos para ser aplicados como fertilizantes.

Potencial dos dejetos suínos

As dosagens a serem utilizadas dependem da concentração de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K) e da demanda da cultura em questão. Segundo o técnico da Emater/RS-Ascar pode-se descobrir essa concentração com análise em laboratório ou diretamente nas propriedades usando o densímetro, a partir do qual é calculada a concentração dos nutrientes e definida a dosagem por hectare.

Levantamentos realizados pela equipe municipal da Emater/RS-Ascar indicam uma densidade média de pouco mais de um quilo de NPK por metro cúbico do dejeto. O extensionista da Emater/RS-Ascar, João Alfredo de Oliveira Sampaio, que presta apoio técnico à suinocultura, destaca que esta constatação serve de base para que as orientações técnicas envolvam o manejo dos dejetos nas propriedades com cuidados relativos à redução do volume de água presente neles, como uso de lavadoras de alta pressão e baixa vazão na limpeza das instalações, observação constante na manutenção de bebedouros para evitar vazamentos, regulagem de bebedouros para evitar os desperdícios, cobertura de esterqueiras e cobertura de canais de condução de dejetos.

De acordo com estudos da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia/SC, é possível se chegar a uma concentração de 6,7 kg de NPK em dejetos líquidos suínos por metro cúbico (N 2,8 kg; P2O5 2,4 kg e K2O 1,5 kg). Esta informação é encontrada também no Manual de Adubação e Calagem (2016).

As amostras coletadas em Nova Candelária deram como resultado que “Cada metro cúbico de dejeto possui em torno de 2,06 kg de Nitrogênio, 1,60 kg de Fósforo e 1,19 kg de Potássio, o que equivale a 4,58 kg de ureia, 3,80 kg de superfosfato triplo e 1,98 kg de cloreto de potássio”, enfatiza a equipe. Desta forma, 1m3 de dejetos de suínos atingiu o valor aproximado de R$ 30,81, se levado em conta o valor comercial dos adubos com esta concentração.

Importância econômica

Outro aspecto destacado pela equipe é de estudos que revelam que um suíno até sua fase de terminação produz em média 770 litros de dejetos, ou seja, 0,77 m3 por cabeça. “Se multiplicarmos os 202.539 suínos terminados em Nova Candelária no ano de 2020 por 0,77 m3, temos uma produção anual de 155.955 m3 de dejetos”, enfatiza Pasquetti.

Considerando a concentração de NPK nos dejetos, observa-se que o volume anual de dejetos produzidos pela suinocultura em Nova Candelária, corresponde a 14.278 sacas de ureia (45% de N), a 11.882 sacas de superfosfato triplo (42% de P2O5) e 6.186 sacas de cloreto de potássio (60% de Kcl).

Os extensionistas da equipe municipal da Emater/RS-Ascar destacam ainda que se levado em conta o preço médio da saca de ureia (R$ 144), de superfosfato triplo (R$ 160) e de cloreto de potássio (R$ 137), os dejetos oriundo da suinocultura no município representam um valor de R$ 4.804.934,00.

Além disso, o uso da matéria orgânica tem importante interferência na melhoria das qualidades químicas, físicas e biológicas do solo e, consequentemente, na produtividade das áreas. Contudo, é importante que sejam adotadas práticas conservacionistas do solo onde são aplicados estes dejetos para evitar escorrimentos e contaminação de mananciais hídricos.

Estas ações de conhecimento do valor nutricional e comercial dos dejetos líquidos são importantes para que sendo monitorados permitam o uso correto destes sendo utilizados para a reposição da extração pelos cultivos, assim como de ações de aumento da concentração pela avaliação da densidade e manutenção das estruturas de produção dando o destino correto aos dejetos e evitando impactos ambientais.

Fonte: Emater-RS/Ascar

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