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La Ninã e pouca chuva no final do ano colocam milho novamente em alerta

Projeções climáticas não são favoráveis para a agricultura, ao menos no último trimestre deste ano e para o milho

25 de setembro de 2020
Na safra 2019/2020 a falta de chuva afetou o milho em fase avançada, com grandes perdas. (Foto: FETAG-RS/Divulgação/JC

Depois de ter o ciclo de 2019/2020 marcado pelas perdas nas lavouras em função da falta de chuvas, o Rio Grande do Sul começa um novo plantio novamente em alerta. As projeções climáticas não são favoráveis para a agricultura, ao menos neste último trimestre do ano e para o milho. Os indicadores atuais são mais críticos para o grão, já semeado em algumas partes, e menos ao arroz e à soja, que agora começa a ser plantada no Estado.

De acordo com o meteorologista Solismar Damé Prestes, coordenador do 8º Distrito de Meteorologia do Inmet, responsável por toda a região Sul, os produtores do Rio Grande do Sul devem começar a se preparar para um déficit hídrico considerável especialmente em novembro. Para o penúltimo mês do ano, o coordenador do Inmet estima que as precipitações devem ser de apenas entre 50% e 60% do normal para o mês.

“Teremos La Niña, o que para o Sul do Brasil significa chuva abaixo do normal. E já temos essa tendência a partir de outubro. Os prognósticos indicam que novembro deve ser o mês mais seco, e em dezembro, voltando a certa normalidade”, detalha Prestes. Como o milho já foi semeado em parte do Rio Grande do Sul, quando chegar novembro as plantas estarão em uma fase onde a falta de chuva pode afetar os resultados da lavoura com mais intensidade no florecimento, por exemplo.

Odacir Klein, coordenador do Fórum Nacional do Milho e consultor do Instituto de Pesquisa Gianelli Martins, avalia que a falta de chuva neste período realmente alcançaria um período crítico das lavouras, ainda que em um nível menos intenso do que na safra passada. “E vale lembrar que no início da safra anterior os institutos não apontaram a estiagem que viria, e, portanto, este dado no atual ciclo também deve ser visto com cautela e não pode desestimular o produtor”, pondera Klein.

Para a soja, avalia José Domingos Lemos Teixeira, coordenador do Núcleo da Aprosoja em Tupanciretã, maior produtor da oleaginosa no Estado, o período mais complicado para falta de precipitações é a partir de janeiro. No verão, de acordo com o Inmet, porém, o La Niña já diminui sua influência sobre o clima no Estado, e o comportamento do tempo dependerá de movimentos oceânicos que ainda não podem ser previstos.

“Um déficit hídrico em novembro não nos afeta muito. E não temos projeção de falta em janeiro, pelo menos até agora, quando começamos o plantio daquela que deve ser a maior área semeada com soja em todo o Estado, alcançando 6 milhões de hectares”, antecipa Domingos.

A MetSul Meteorologia também indica que a primavera deste ano transcorrerá com o Oceano Pacífico sob La Niña pela primeira vez em anos, com reflexos na nova estação. O resfriamento das águas do Pacífico Equatorial deve acarretar em chuva irregular neste ano, com distribuição da chuva irregular e precipitação acima da média até novembro em partes do Estado e volumes abaixo da média histórica em outros.

Ainda de acordo com o Inmet, os efeitos do fenômeno La Niña sobre a chuva são sentidos mais no final da primavera e no começo do verão. Por isso, o alerta é de que à medida que o verão se aproxima, entre novembro e dezembro, a irregularidade da chuva tende a se acentuar e algumas áreas do território gaúcho podem enfrentar déficit hídrico, com ameaça de prejuízos em lavouras de ciclo precoce como as de milho.

O problema neste início de primavera pode ser uma maior frequência de tempestades, intensos vendavais e granizo e com indicadores de precedentes de tornados na estação. O instituto alerta que os tornados mais graves dos últimos 20 anos na primavera no Rio Grande do Sul se deram em sua maioria sob La Niña.

Fonte: Thiago Copetti (Jornal do Comércio)

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