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Hospital de Caridade expõe dificuldades para comprar insumos e ocorrência de preços abusivos

Insumos necessários para pacientes que necessitam intubação estão em falta ou apresentam custos muito maiores do que antes da pandemia

19 de junho de 2020
De acordo com a administradora do HCTP, outras casas de saúde da região estão enfrentando os mesmos problemas (Foto: Arquivo / Rádio Alto Uruguai)

A partir de uma manifestação da administração e diretoria do Hospital de Caridade de Três Passos (HCTP), em sua página no Facebook, na quinta-feira (18), relatando que a instituição está enfrentando dificuldades para adquirir insumos necessários, principalmente, para pacientes que necessitam de intubação, tanto por falta de materiais, como pela ocorrência de aumento abusivo de preços, a reportagem da Rádio Alto Uruguai propôs uma entrevista com a administradora do hospital, Leila Bender. A entrevista foi realizada na manhã desta sexta-feira (19), durante o programa Atividade, com apresentação de Rafael Petry.

De acordo com Leila, a partir do mês de fevereiro, o estado e as instituições hospitalares deram início ao trabalho de planejamento para enfrentar a questão da Covid-19. Algumas das preocupações iniciais eram quanto à estrutura do hospital e aquisição de EPIs, os equipamentos de proteção individual.

No início de março, a partir de doações financeiras significativas por parte da comunidade, o hospital encaminhou uma compra mais significativa de medicamentos sedativos, utilizados para pacientes que necessitam estar intubados, o que garantiu um estoque de três meses.

Entretanto, nas últimas semanas, com um aumento no número de internações e de pacientes que necessitam de intubação, o hospital necessitou de mais insumos e se deparou com um aumento bastante expressivo dos itens, muitas vezes até “absurdos”, nas palavras da administradora. “Um produto que custava R$ 5,00, agora está disponível por R$ 65, e ainda há uma limitação na quantidade que está disponível para compra”, afirma Leila.

A administradora relata que há uma redução na oferta de sedativos que são utilizados, especialmente para pacientes intubados – tanto pacientes que tenham sido diagnosticados com Covid-19, quanto para pacientes com outras patologias.

Com este quadro, procedimentos eletivos que usam estes medicamentos, estão sendo limitados, para haver um estoque aos pacientes que tenham contraído Covid-19, explicou Leila.

Para aquisição de medicamentos, o HCTP recebe um valor mensal do SUS (Sistema Único de Saúde), e a instituição é que tem de organizar e administrar as compras. “Os valores que são repassados através do SUS estão congelados há cerca de vinte anos, mas os aumentos nos preços de medicamentos são constantes”, ressalta.

Esta semana, o HCTP conseguiu manter o trabalho e os pacientes que necessitam de intubação não ficaram desassistidos, porque outras instituições cederam medicamentos necessários. “O que nos preocupa é esta limitação que está posta neste momento. Se eu faço um pedido de mil itens, eu só recebo duzentos. O item que custava R$ 20, está custando R$ 65. Mas ao mesmo tempo nós estamos com os pacientes internados e não podemos deixar de atendê-los”, explica.

Um dos exemplos citados pela administradora do hospital, é o medicamento Midazolan. “Se antes eu utilizava trezentas ampolas e gastava R$ 1.050, agora eu estou gastando para as mesmas trezentas ampolas, R$ 12.600”. Outro medicamento citado por Leila, que era consumido em trezentas ampolas por semana, a um custo de R$ 1.350, agora está sendo pago R$ 16.800 por semana. “E estes são somente dois itens, dois tipos de sedativos”, observa.

Leila também exemplifica o aumento de preços em um dos principais itens de equipamento de proteção individual: “as máscaras N95, que antes da pandemia eram compradas ao valor de R$ 2, no início da pandemia foi para R$ 38, chegou a R$ 42, e agora voltou para R$ 14,90”. Ou seja, um valor ainda bastante acima do que era considerado o normal, antes da pandemia.

No último dia 15, o hospital recebeu o primeiro repasse federal, mas desde o início da pandemia a instituição vinha contando apenas com doações da comunidade, instituições e empresas locais, o que também dificulta um melhor planejamento.

Nas últimas duas semanas, o hospital cancelou os atendimentos eletivos para dar prioridade aos casos de urgência e emergência, e ter material para tratar estes pacientes, sejam Covid-19 ou não.

Para mudar um pouco este cenário, aliviando as dificuldades financeiras e, até mesmo, denunciando a ocorrência de um aumento abusivo de preços em diferente itens hospitalares e de saúde, o hospital tem recorrido à 19ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), ao governo estadual e, também, encaminhando ofícios aos deputados.

Fonte: Rádio Alto Uruguai

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