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Funai e MPF renovam pedido de intervenção na maior área indígena do RS

Rodovia que corta reserva caingangue do Guarita segue bloqueada em protesto por tiroteio que resultou em assassinato de um índio e ferimentos noutros três

8 de novembro de 2019
BM reforça efetivo na área indígena e tenta conter a tensão, enquanto não são tomadas medidas por parte da esfera federal (Foto: BM/Divulgação/Arquivo)

A Fundação Nacional do Índio (Funai) acaba de renovar junto ao Ministério da Justiça o pedido de intervenção federal na Reserva Indígena do Guarita, a maior do RS, que reúne 7 mil caingangues e cerca de 800 guaranis. Índios que residem na área bloquearam a RS-330, rodovia que liga as cidades de Miraguaí, Redentora e Tenente Portela, no noroeste gaúcho, próximo à fronteira com a Argentina. Eles protestam contra a não resolução de um conflito interno na tribo que levou à morte de um indígena e aos ferimentos registrados em outros três, na tarde de quinta-feira (7) – motivo maior do pedido para que a União interceda no conflito.

Os quatro indígenas foram baleados na guerra entre grupos de apoio ao cacique Carlinhos Alfaiate e ao vice-cacique Vanderlei Ribeiro, o Vandinho, que brigaram pelo controle da Reserva da Guarita. É um conflito por poder. O chefe das aldeias tem a última palavra sobre cerca de mil cargos na reserva, entre professores, servidores de postos de saúde e empregados de frigoríficos. A escolha passa por ele. Além disso, metade dos 24 mil hectares da área indígena é destinada à lavoura – e os caingangues costumam arrendar essas terras para brancos plantarem, ilegalmente. Recebem, em troca, comissão. Tudo isso está em jogo na disputa entre os dois chefes.

A primeira solicitação da Funai para intervenção na reserva foi feita em 21 de outubro e até hoje não teve resposta por parte da equipe do ministro Sergio Moro. Caso seja atendido, o pedido resultará na destituição do cacique e do seu vice. Um interventor seria nomeado pela Funai, talvez um militar. Isso já aconteceu em outros locais do país.

O Ministério Público Federal (MPF) também renovou pedido de intervenção, feito no mesmo dia em que a Funai protocolou o seu. A preferência dos procuradores da República é por uma ação disciplinatória por parte da Polícia Federal, com prisão de responsáveis pelos frequentes tiroteios entre grupos rivais de índios.

Conflito armado no dia 7 de novembro

O confronto da tarde de quinta-feira (7) aconteceu por volta das 14h numa área que é dominada pelos oponentes do cacique. Um grupo de apoiadores de Carlinhos Alfaiate teria entrado nesse local e sido recebido a tiros, segundo relatos de um oficial da BM. Os disparos teriam vindo do interior de uma residência. O homem morto é filho de um dos “capitães” do cacique (os caingangues se organizam de forma militar).

Os outros três feridos também são ligados ao cacique. Um deles, em estado gravíssimo, foi levado de ambulância ao hospital de Palmeira das Missões.

Em reação, o grupo de apoiadores de Alfaiate teria percorrido, armado, as ruas de São João do Irapuã. Um pelotão da BM se deslocou à vila e prendeu em flagrante um desses caingangues, que estava com uma espingarda.

O transtorno não atinge apenas os índios. Os moradores de três municípios que englobam a maior reserva indígena do Rio Grande do Sul estão sem poder transitar livremente pela região desde o tiroteio. Isso porque caingangues trancaram com fogueiras e árvores a principal rodovia, em protesto pela morte. Para transitar entre uma e outra ponta da Reserva da Guarita, motoristas vindos de Miraguaí, Redentora e Tenente Portela têm agora de usar vias de chão batido, enlameadas nesta época do ano. E ainda correm o risco de serem atingidos no fogo cruzado entre os grupos de caingangues que se digladiam.

“Eles chegaram atirando”, descreve filho do cacique

Filho do cacique Carlinhos Alfaiate e seu porta-voz mais frequente, Edimílson Alfaiate estava na localidade de São João do Irapuã quando seus apoiadores foram alvejados por dezenas de tiros, vindos de um grupo caingangue rival. O episódio foi às 14h de quinta-feira e desde então pai e filho se revezam na mobilização da comunidade indígena do Guarita. O primeiro ato foi bloquear a principal rodovia da região, a RS-330, que já dura 24 horas. Eles exigem a prisão dos opositores por parte da Polícia Federal. Confira entrevista dada por Edimílson a GaúchaZH:

Como foi o confronto?

Não foi confronto. Fomos emboscados. Eu estava com um grupo de apoiadores do meu pai na localidade de São João do Irapuá, um dos focos de atuação do vice-cacique, o Vandinho Ribeiro. Um caingangue que nos apoia tinha sido preso pela BM, porque estava armado, um erro dele…que ocorreu porque estava com medo de ser morto pelos criminosos do outro lado. Aí fomos conversar com a comunidade, acalmar os ânimos, quando fizeram um monte de disparos, de dentro de uma casa e de um carro. Eu não vi, mas estava perto, ouvi os tiros e corri em segundos para ajudar o parente que morreu.

Mas o Ministério Público Federal (MPF) diz que o grupo do cacique e do vice estavam perto de um acordo. O que aconteceu?

O pessoal do vice-cacique não quer acordo. Eles querem o poder e não vamos ceder. Nossa comunidade apoia o Carlinhos Alfaiate, ele foi legitimamente eleito. Aliás, cadê o MPF que não aparece aqui? Estamos há um mês pedindo ação da Polícia Federal. Foram sete incidentes com tiros até agora. Nada. Quando vão prender esses marginais que tentam derrubar o cacique?

E o bloqueio da estrada?

Vai continuar. Não sairemos enquanto não resolverem essa situação.

Fonte: GaúchaZH

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