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Fronteira é reaberta em Uruguaiana. Retenções de veículos também ocorrem em São Borja

Estão sendo realizados cerca de 200 testes diários em São Borja, pressionando a capacidade dos laboratórios locais

22 de abril de 2021
Necessidade de testes causa atraso na liberação de cargas e desembaraços alfandegários (Foto: Rafael Vigna / Divulgação / Jornal do Comércio)

O trânsito de cargas na fronteira Brasil/Argentina em Uruguaiana e Paso de Los Libres foi restabelecido nesta quarta-feira (21), depois ter sido interrompido devido a um protesto de caminhoneiros brasileiros contra as medidas de restrição e testagem implementadas pela Argentina por causa da pandemia de Covid-19. O tráfego de caminhões foi restabelecido à tarde.

Diante da disseminação da variante brasileira da Covid-19, os governos de Argentina e Chile determinaram que caminhoneiros que levam cargas apresentem um teste negativo RT-PCR para entrar em seus respectivos territórios, numa exigência que gerou críticas de transportadores por possíveis impactos no comércio.
As regras foram baixadas em 5 de abril no Chile. Na Argentina, a norma passou a valer no dia 14. Em ambos os casos, valem para caminhoneiros oriundos de qualquer país, não só do Brasil.

Nesta semana, os caminhoneiros brasileiros, contrários à exigência de testes PCR para entrar no lado argentino, decidiram bloquear a ponte que liga os dois países em Uruguaiana para protestar. Com isso, na terça-feira, o controle de fronteiras argentino em Paso de Los Libres determinou o fechamento do trânsito por falta de segurança a caminhoneiros do país vizinho.

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens de Uruguaiana (Sindicam), Paulo Dutra, lembra que a exigência do teste RT-PCR para a entrada na Argentina, ao contrário de testes rápidos, como o salivar, prejudica os prazos dos profissionais. “Leva 30 horas para ter o resultado, o que gera demora nas viagens”, afirma.

Dutra lembra que Chile e Argentina estão exigindo os testes RT-PCR apenas para os motoristas estrangeiros, mas não para os naturais de seus países. “Também não está havendo reciprocidade do Brasil para os argentinos e chilenos, que podem entrar em território brasileiro sem testes”, reclama o dirigente.

Francisco Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI) e vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), defende que o Brasil negocie com os países vizinhos a adoção do modelo atualmente em vigor no Uruguai: a realização do teste RT-PCR no lado uruguaio da fronteira, com custos pagos pelo importador e sem obrigação de espera pelo resultado. “O motorista pode seguir viagem, fazer a entrega, e se o resultado do teste for positivo, ele é informado e solicitado a se retirar do território uruguaio”, lembra Cardoso. “Não somos contra um protocolo sanitário que preserve a saúde das comunidades, mas queremos algo negociado que atenda a todas as partes”, destaca.

Cardoso lembra que o fato dos testes não serem exigidos aos caminhoneiros estrangeiros que entram no Brasil faz com que os profissionais brasileiros se sintam discriminados. Além disso, o dirigente destaca que a demora para os resultados dos testes RT-PCR cria uma retenção de cargas que prejudica o comércio internacional. “Apenas em Uruguaiana cruzam a fronteira de 500 a 600 caminhões por dia, que precisam estar com o teste PCR dos condutores. Isso gera uma demanda elevada demais para os laboratórios. O retorno dos resultados pode demorar até 72 horas”, destaca.

Retenções de veículos também ocorrem em São Borja

Em São Borja, o transito de caminhões para a Argentina não chegou a ser interrompido. No entanto, os motoristas também enfrentam retenções devido à necessidade de realizar os testes RT-PCR exigidos pelo governo argentino. “Os caminhoneiros acabam deixando os veículos na aduana e se dirigem à cidade para fazer os testes. Na terça-feira a fila de caminhões que aguardavam para podem ingressar no país vizinho chegava a um quilômetro, além dos que estavam parados no pátio da aduana”, explica o vereador Tiago Cadó (PDT), presidente de comissão especial sobre a concessão da Ponte São Borja-Santo Tomé.

Cadó afirma que estão sendo realizados cerca de 200 testes diários em São Borja, pressionando a capacidade dos laboratórios locais. Além disso, essa exigência está causando severo atraso na liberação de cargas e desembaraços alfandegários.

O vereador defende a necessidade de antecipação da vacina para os motoristas de caminhão em atividade no transporte internacional, além dos agentes de comércio exterior que atuam nas rotas que ingressam na Argentina. “Quem está vacinado não precisa do exame, o que ajudaria a desafogar o trânsito de mercadorias”, destacou.

Em São Borja, está instalado o Centro Unificado de Fronteira (CUF), que abriga 32 escritórios despachantes, gerando 500 postos de trabalho. A rota para o Chile é uma das principais fontes de receita ao lado da Argentina. Ele lembra que a Ponte Internacional responde por 26% de todo o comércio bilateral entre Brasil e Argentina, com cerca de US$ 7 bilhões (R$ 39,9 bilhões) em mercadorias anuais.

Trânsito de cargas entre Uruguaiana e Paso de Los Libres havia sido interrompido na terça-feira (Foto: Prefeitura de Uruguaiana / Divulgação)

Fonte: Jornal do Comércio

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