Diretora administrativa do Hospital de Caridade rebate críticas e expõe números e informações sobre a instituição – Rádio Alto Uruguai | FM 92,5 – FM 106,1
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Diretora administrativa do Hospital de Caridade rebate críticas e expõe números e informações sobre a instituição

Paula de Paula Rodrigues foi entrevistada pela Rádio Alto Uruguai, contrapondo manifestação de representantes do Simers e apresentando informações importantes sobre a instituição para a comunidade

13 de agosto de 2019
Diretora administrativa do HCTP, Paula de Paula Rodrigues (Foto: Rádio Alto Uruguai)

A diretora administrativa do Hospital de Caridade de Três Passos (HCTP), Paula de Paula Rodrigues, concedeu entrevista à Rádio Alto Uruguai, na manhã de segunda-feira (12), fazendo um contraponto a algumas declarações feitas por representantes do Simers – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, durante entrevista na sexta-feira, além de trazer informações à comunidade a respeito de diversos aspectos administrativos e de gestão, da casa hospitalar.

Confira um resumo da entrevista:

Dívidas no pagamento de honorários de profissionais médicos

Em relação a atendimentos que são realizados pelo SUS, Paula afirma que há uma necessidade de que seja pago o sobreaviso para a disponibilidade do profissional médico e, em alguns casos, além do sobreaviso, existe o pagamento da produção. “Algo que não ocorre no atendimento de usuários de convênio ou particular”, pontua.

Segundo a diretora, os médicos não são funcionários do HCTP. Eles prestam serviço médico aos pacientes que eles próprios internam na instituição, ou realizam consultas, cirurgias, procedimentos e internações. “Portanto, não existe subordinação do médico e não existe um salário, e sim um honorário médico”.

Referente aos anos de 2016 e 2017, hoje são R$ 2,5 milhões de dívida que o hospital possui com a equipe médica. “O hospital reconhece, está buscando resolver essa dívida, mas não da maneira como o Simers colocou, que teve dificuldades de agenda [para se reunir com representante do hospital], sempre as reuniões ocorrem com o jurídico do HCTP, e essas reuniões foram agendadas praticamente de um dia para o outro. Nós temos outras agendas próprias do hospital, mas não houve negativa de reunião”. Paula ainda reforça que esta dívida foi herdada da gestão passada do hospital.

O Simers quer que o hospital assine um documento denominado confissão de dívida, onde o hospital assume legalmente e pode ser executado. “Para que a gente possa assinar este documento, precisamos ter subsídios, ter um estudo, uma perspectiva. Por isso não podemos assinar neste momento”, sentencia Paula.

De acordo com informações da diretora administrativa, neste ano de 2019 não há quitação do pagamento dos honorários médicos desde o mês de março. Segundo Paula, nesta última semana o hospital recebeu cerca de R$ 530 mil de repasses, entre recursos das diferentes esferas governamentais e convênios. “Vamos dividir esse montante. Os funcionários já receberam metade dos seus salários referentes ao mês de julho, e os médicos irão receber uma porcentagem de cerca de 50%, referente a débitos do mês de março. Operacionalmente temos quatro meses de atrasos no pagamento de honorários médicos referentes a este ano”.

Para a administradora, isso é reflexo de receitas menores do que as despesas. “Hoje o hospital gasta mais do que teria de entrada, em virtude da gente ter disponível o atendimento para a comunidade”.

A receita mensal gira em torno de R$ 1,2 milhão. Como as receitas advindas do SUS são quitadas cerca de 90 dias após a produção, o hospital precisa ter fluxo de caixa e capital de giro, até que receba, e isso muitas vezes não se consegue. “Temos uma capacidade de produção maior do que estamos produzindo.

Paula também destacou que destas receitas do SUS, são descontados valores referentes a financiamentos que foram contraídos no passado, com descontos mensais, com muitas parcelas significativas ainda para serem debitadas.

De acordo com Paula, a relação do hospital com o governo do Estado tem sido muito positiva este ano. Ela relata que desde março a questão dos repasses tem melhorado muito. “Não são os atrasos que causam esse déficit, mas sim a defasagem da tabelas de valores do SUS. É um problema nacional e todos os hospitais acabam tendo esse reflexo. Então é isso que precisamos focar”.

Falta de plantão médico no pronto-socorro

No dia 2 de agosto aconteceu um episódio que acabou repercutindo: a falta de profissional para o plantão médico, de acordo com o HCTP, por volta das 23 horas. Para o hospital, foi um caso pontual.

O HCTP entrou em contato com o Hospital de Caridade de Crissiumal, que aceitou atender um paciente de urgência/emergência que havia dado entrada no hospital de Três Passos.

Das 23 horas do dia 2, até as 8 horas da manhã do dia 3 de agosto, os pacientes nessa condição seriam referenciados para o hospital de Crissiumal. “Ligamos para todos os secretários de saúde que trabalham conosco, para o Corpo de Bombeiros e outras entidades, informando esta situação. Não deixamos os pacientes desassistidos”, garante Paula.

Para se manter a emergência funcionando, somente com custos de honorários médicos, se têm um investimento de R$ 75 mil, fora os investimentos com equipe assistencial, equipe administrativa, materiais e medicamentos.

A emergência trabalha com atendimentos de rotina, manhã e tarde, além dos plantões noturnos, nos finais de semana e feriados. Atualmente, de quatro a cinco profissionais auxiliam nestas escalas. “Muitas vezes o médico não se sente mais a vontade para continuar no nosso hospital pelo excesso de consultas. Um exemplo: a equipe está atendendo um acidente, muitas vezes com duas ou três vítimas simultâneas, e na recepção estão aguardando de 30 a 40 pessoas para consulta. Não que essas pessoas não estejam legítimas na sua dor. Mas não seria para aquele momento”. Para a administradora, isso tumultua o trabalho da equipe.

O hospital pede que a comunidade encare de uma outra maneira. Segundo Payla, urgência e emergência deveriam servir apenas para casos em que o hospital realmente faça a diferença entre a vida e a morte do paciente.

Serviço de ginecologia

A 19ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Frederico Westphalen, confirmou que o HCTP não possui mais a referência em ginecologia na região, algo que foi repassado ao hospital de Seberi.

De acordo com Paula, o hospital recebia em torno de R$ 54 mil mensais para manter os serviços de ginecologia, tendo de atender 240 consultas e realizar 30 cirurgias. “Nenhum médico vai querer fazer consulta a R$ 10,00, que é o valor que o SUS paga hoje. Você não pode obrigar o profissional”.

Por não atingir o número de cirurgias necessárias, algo que segundo a diretora administrativa vinha se repetindo desde antes da atual diretoria liderar a instituição, há um desconto no montante de recursos repassados ao hospital, tornando ainda mais inviável a manutenção dos serviços.

De acordo com Paula, houve a oportunidade de troca desta especialidade, pela de gastrocirurgia. Essa nova habilitação ainda não está finalizada.

Críticas sobre falta de gestão

Paula fez questão de contrapor uma afirmação realizada pelo Simers, de que o hospital não teria gestão. “Nós temos uma média de R$ 1,2 ou R$ 1,3 milhão de receita. Somente de médicos e funcionários, se tem, com os encargos, uma despesa de R$ 1,280 milhão. Muitas vezes não se têm todo esse montante e se parcela uma parte dos encargos”, explicou.

O HCTP possui R$ 2,5 milhões de débitos referentes a anos anteriores, em um passivo com os médicos. “Estamos buscando alternativas para conseguir recursos e assim que estiver solidificado, estaremos divulgando”, afirmou.

Também existe uma dívida de quase R$ 1,2 milhão com fornecedores, entre outras pendências ou parcelamentos, como é o exemplo da questão trabalhada com os profissionais médicos.

Hoje, são 275 funcionários no hospital. Desse montante, 229 estão efetivamente trabalhando. Os demais estão em período de férias, ou licença. Quanto aos vencimentos dos funcionários, ainda precisa ser quitada 50% da folha salarial referente a julho.

Importância das doações

Quanto às inúmeras doações que o hospital recebe, tanto financeiras como em mantimentos ou equipamentos, a diretora administrativa pede que a comunidade siga ajudando. Segundo ela, não há risco do hospital fechar. O déficit atual é praticamente 70% menor do que em anos anteriores. Para exemplificar a importância das doações, Paula relata que semanalmente o hospital consome cerca de 100 quilos de carne, 180 litros de leite, 80 quilos de pães e cerca de 300 quilos de hortigranjeiros.

Campanha de valorização da imagem do hospital

Para atrair mais pacientes de convênios e de particular, além da busca por mais profissionais, o HCTP vai iniciar uma campanha de valorização da imagem da instituição. A ideia é evitar que problemas específicos sejam tratados de forma pública em redes sociais ou outros meios, antes de serem levados ao conhecimento da administração do hospital.

“Quando um médico quer vir pra cidade ele vai pesquisar, como é o hospital, mas aí ele recebe um monte de críticas, um monte de pessoas falando mal do hospital, ele não vai querer vir. Um paciente particular que está interessado, porque tem um grande profissional aqui que opera, que faz um procedimento pertinente para o que ele precisa, ele vai avaliar se o hospital está com a estrutura deficitária, se está ruim, as pessoas falam mal. Ele não vai vir. Então é importante que as pessoas tenham cuidado ao usar as redes sociais. Têm que se ter responsabilidade”, conclui Paula.

Fonte: Rádio Alto Uruguai

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