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Cresce tensão na Terra Guarita após atentado contra o cacique Carlinhos Alfaiate

Segundo a polícia, 15 homens armados incendiaram casa de cacique em Redentora

21 de outubro de 2019
Casa de cacique destruída após incêndio criminoso (Brigada Militar /Divulgação)

Os últimos dias foram de clima tenso na Terra Indígena Guarita, que engloba territórios dos municípios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco. Aparentemente a disputa política na área coloca de lados opostos o cacique e o vice cacique.

Após um incêndio criminoso à uma residência, ocorrido na quinta-feira (17), seguido da apreensão de armas, no setor de Três Soitas, em Tenente Portela, no sábado (19), por volta das 18h30min, foi a vez da casa do atual cacique, Carlinhos Alfaiate, 52 anos, ser incendiada, na localidade de Linha Laranjeiras, em Redentora, sendo que pelo menos 15 homens, de acordo com informações da polícia, ates de atearem fogo na residência, dispararam diversos tiros, no que é considerado um atentado contra a liderança indígena.

O cacique conseguiu fugir e escapar ileso dos disparos, se refugiando em uma área de mata, até ser localizado pela polícia e ser resgatado em segurança, no domingo.

Segundo testemunhas ouvidas pela investigação, um drone foi visto sobrevoando a casa pouco antes de os homens chegarem.

O delegado Roberto Audino, da Polícia Civil, afirma que o ataque ocorreu em meio à disputa de poder pela liderança da tribo envolvendo o cacique Carlinhos Alfaiate e o vice cacique Vanderlei Ribeiro, 46 anos, que lideram a tribo desde fevereiro de 2018. A Terra Indígena Guarita tem 23 mil hectares, localizados entre os municípios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, e é composta por 7 mil integrantes.

“No decorrer das últimas semanas várias ocorrências foram registradas. Disparo de arma de fogo, ameaças e, na última quinta-feira, já ocorreu incêndio em uma residência em outro setor da área indígena, na cidade de Tenente Portela”, relata o delegado Audino.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Tenente Portela e será enviada ao Ministério Público Federal, que é o mediador do conflito entre os dois líderes da mesma tribo.

Alfaitate foi o primeiro líder caingangue eleito pelo voto direto, em 2000, e retornou ao cargo em fevereiro de 2018, após mais de uma década de liderança de Valdonês Joaquim.

O cacique vivia com a mulher e a filha de 14 anos na casa destruída pelo fogo. À reportagem do site GaúchaZH, disse que estava na residência, no sábado, com a mulher, quando o grupo de homens armados apareceu: “Vi aquele barulho todo de tiro de arma e percebi que não era pouca coisa. Era muita gente atirando para o meu lado. Tive de recuar. Eles queriam acabar comigo. Minha esposa ficou e viu tudo. Despejaram gasolina e colocaram fogo na minha casa. Querem tomar meu cacicado à força. A maioria da comunidade não aceita e não concorda com isso”.

O vice cacique confirma que o clima está tenso na região e que não se “consegue controlar o povo”. No dia 28 de setembro, em uma entrevista à Rádio Província, de Tenente Portela, Ribeiro chegou a se autoproclamar cacique. Ele afirma que busca o diálogo e quer atuar como liderança ao lado de Alfaiate. Porém, o cacique Alfaoate, em outra entrevista, na mesma emissora, reafirmou sua autoridade como cacique. “A gente está sem voz para ajudar a comunidade. Só ele quer liderar. Os ânimos das famílias estão acirrados”, afirma Vanderlei Ribeiro.

Devido ao clima de insegurança, duas escolas da reserva indígena estão com as aulas suspensas nesta segunda-feira.

A Brigada Militar está com efetivo reforçado para atuar nas proximidades e também no interior da Terra Indígena Guarita. Ainda no domingo, nas proximidades de onde a casa do cacique foi destruída, foram localizadas diversas cápsulas deflagradas de armas de grosso calibre: 7.62, que é utilizada em fuzil, .12, .38 e .28. A Polícia Civil está investigando os fatos.

Também no domingo, o cacique Carlinhos Alfaiate se reuniu com lideranças indígenas, na sede do cacicado, no setor Estiva.

Devido ao clima de tensão, os indígenas não descartam a presença da Polícia Federal ou, até mesmo, uma intervenção do Exército.

Uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), também é aguardada para este início de semana.

Fonte: GaúchaZH e Rádio Alto Uruguai

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