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Chuva é insuficiente para reverter incerteza da safra

Mesmo com expectativa de “início do fim” da crise hídrica, há perdas irreversíveis na cultura do milho e chances de recuperação na da soja

28 de janeiro de 2022
Plantações de soja cresceram menos do que era esperado para esta época do ano por causa da estiagem prolongada. (Foto: Guilherme Almeida)

A chuva que pôs fim à onda de calor no Rio Grande do Sul amenizou a situação das lavouras de verão, mas ainda há incerteza sobre o futuro da safra gaúcha, que já reflete os danos da estiagem. Embora não tenham atingido o Estado de forma generalizada, as chuvas da quarta-feira e da quinta-feira podem sinalizar o “início do fim” da crise hídrica provocada pelo fenômeno La Niña, segundo o diretor técnico da Emater/Ascar-RS, Alencar Rugeri.

“Temos ainda uma má distribuição das chuvas no Estado”, avalia Rugeri, observando que em algumas localidades choveu apenas 10 milímetros ou não choveu, enquanto outras registraram 100 milímetros de chuva. Para o técnico, as perspectivas para a safra gaúcha dependerão do volume e da regularidade das próximas precipitações, mesmo que estas não sejam diárias. “Quanto mais chove, mais diminui a pressão da estiagem, porém isso tem de continuar”, alerta.

A regularização das chuvas é considerada decisiva para a safra de soja, pois muitos produtores aguardavam uma melhora do clima para concluir os trabalhos de plantio. De acordo com o Informe Conjuntural divulgado ontem pela Emater, 2% da área de cultivo da oleaginosa estimada para o ciclo 2021/2022 – de 6,3 milhões de hectares – ainda não foi semeada. “E (ainda é preciso considerar) aquilo que vai ter de ser replantado, então temos uma dificuldade bastante grande”, observa Rugeri.

O levantamento da Emater aponta que a colheita do milho avançou para 34% da área cultivada. As lavouras em enchimento de grãos e maturação, que representam 41% do total, apresentam uma senescência rápida das folhas, o que pode comprometer a formação final dos grãos, informa a publicação. A expectativa de produtividade é de cerca de 60 sacos por hectare – 52% abaixo da média inicialmente estimada.

Fonte: Correio do Povo

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