Caso Bernardo: Defesas sustentam versão dos réus e postulam desclassificação e absolvições – Rádio Alto Uruguai | FM 92,5 – FM 106,1
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Caso Bernardo: Defesas sustentam versão dos réus e postulam desclassificação e absolvições

Quarto dia de julgamento contou com a abertura dos debates orais. Trabalhos duraram cerca de 15 horas, até por volta da meia-noite.

15 de março de 2019
Advogado Ezequiel Vetoretti que defende Leandro Boldrini. (Foto: Reprodução/TJ RS)

Após 15 horas, foram encerrados nesta quinta-feira os trabalhos no Salão do Júri da Comarca de Três Passos. Os advogados que representam Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz falaram sucessivamente sobre as provas produzidas e apresentaram suas teses defensivas, pedindo desclassificação de crimes imputados e absolvições. Todos falaram aos jurados no final da noite. Os debates se encerraram por volta da meia noite, tendo duração de 8 horas.

A sessão do júri nesta sexta-feira foi retomada por volta das 10h. O MP iniciou com o espaço de duas horas para réplica, em que argumentou contra os réus. Em seguida, duas horas para a tréplica das defesas. Nesse meio tempo acontece intervalo. Após, o Conselho de Sentença se reúne para dar o veredicto. Ao final, a juíza anuncia o resultado do julgamento. Entre o fim da tarde e início da noite o julgamento deve terminar.

Leandro Boldrini

A defesa de Leandro Boldrini argumentou que a denúncia contra o pai de Bernardo foi feita em cima de conjecturas e provas falsas. O advogado Ezequiel Vetoretti também criticou a imprensa pelo destaque excessivo ao caso, bem como a imagem de “monstro” que teriam criado do cirurgião. A defesa citou declarações de testemunhas que falaram bem do relacionamento de pai e filho e que não foram citadas na mídia. E também a influência midiática na reabertura do processo que investigou as circunstâncias da morte de Odilaine Uglione, mãe de Bernardo, após a morte dele, arquivado novamente.

“Todos os finais de semana, Leandro e Bernardo sempre se falaram nos finais de semana. O único que o pai não conseguiu foi o do crime”, garantiu o Advogado. O defensor admitiu que o cliente não deveria ter gravado os vídeos das brigas com o filho, mas que o pai reconheceu que a intenção foi mostrar para um psiquiatra. E também afirmou que o cirurgião não é emotivo. “Ele é uma pessoa fria. Foi criado na ponta do facão”.

Vetoretti afastou as suspeitas de conluio entre as defesas para livrar Leandro do crime, uma vez que ele seria fonte financeira. Segundo ele, a madrasta declarou que a morte de Bernardo foi acidental, com isso, ela isentaria a todos, pois o crime seria culposo e não doloso. “Desde o primeiro depoimento ela disse que Leandro não sabia de nada. Criaram um monstro”.

Sobre o laudo psiquiátrico apresentado pelo Ministério Público, em que é dito que Leandro tem traços de psicopatia, Vetoretti afirmou que o documento revela a indignação do médico com a companheira “pela situação em que ela o colocou”.  Ao final, enfatizou: “o lugar de Leandro é em Três Passos salvando vidas. Leandro é inocente”.

Graciele Ugulini

O advogado Vanderlei Pompeu de Mattos declarou que Graciele Ugulini é ré confessa, mas não havia intenção de matar a criança. Entretanto, admitiu que não há argumentos para a ocultação do cadáver, o que classificou como uma “atitude insana”. “Uma tragédia acidental. Ela vai responder por homicídio culposo e ocultação de cadáver”, resumiu. “Uma decisão serena para que estas pessoas possam ser reinseridas na sociedade”, desejou o defensor.

Pompeo de Mattos criticou o que chamou de “desvirtuamento da dinâmica”, conferindo à imprensa um apelo excessivo ao caso. “Não enxergo a comunidade sentada aqui. Aqueles vingadores de plantão disseminados por entrevistas, induzidos ao erro. Cadê a comoção social?”. O defensor afirmou que as expressões usadas por Graciele sobre Bernardo foram ditas “no campo da teoria”. E alegou que o menino se automedicava e que o excesso de ingestão do remédio causou a sua morte.

Chamada de psicopata pela acusação, Pompeu de Mattos afirmou que Graciele apresenta um quadro depressivo e que a madrasta de Bernardo pensou em suicídio. E defendeu a semi-imputabilidade dela.

Edelvânia Wirganovicz

Os advogados Gustavo Nagelstein e Jean Severo fizeram a defesa da Assistente Social Edelâania Wirganovicz. Eles argumentaram que ela não tinha motivo para matar Bernardo. E que a participação dela no crime não é a mesma que a do pai e da madrasta. “Esperamos que vocês concluam que ela não matou esse menino e, sim, ajudou a esconder este corpo. Ou, então, entendam que a participação dela foi bem menor que a de Leandro e Graciele”. Nagelstein retomou a versão apresentada pela cliente dele, no início da tarde, no sentido de que foi pressionada por Graciele para ajudá-la a esconder o crime e coagida a manter-se em silêncio.

O advogado afirmou que há erros no processo e nas versões apresentadas pelos réus, inclusive a da própria cliente. “Esse processo tem seis versões. Em qual delas vamos nos apegar? Mas tem uma certeza que não podemos deixar passar: Edelvânia e o irmão dela não tinham motivação”.

Os defensores afirmam que Edelvânia não recebeu dinheiro de Graciele e que eram dela os R$ 6 mil pagos à construtora para quitar parcelas atrasadas do apartamento. “Tem que sair daqui condenada, mas por ocultação. Mas, no homicídio, ela não tem dolo”, afirmou o Advogado Jean Severo. “O Evandro, nem se fala”, completou.

Evandro Wirganovicz

A defesa de Evandro Wirganovicz foi realizada pelo Advogado Luís Geraldo Gomes dos Santos. O defensor criticou o inquérito policial e a denúncia do Ministério Público, apontando equívoco na análise das provas e das interpretações. “Um processo feito na base do achismo.” O advogado defendeu que a Polícia induziu o MP. “Evandro é um estranho no ninho. Caiu de paraquedas no processo”, disse Santos, lembrando que os outros réus isentaram o acusado em seus interrogatórios. Também não há interceptação que coloque os irmãos Wirganovicz conversando sobre o fato.

A autoridade colocou Evandro no local de forma forçada, argumentou. “O grande problema é que ele não sabia que ela (Edelvânia) tinha feito a porcaria que fez”. A defesa argumentou inexistência de provas de que Evandro conhecia Graciele e Leandro e de que ele tenha recebido dinheiro deles para ajudar a matar Bernardo. E que não há elementos de que o motorista cavou o buraco. Lembrou que o carro de Edelvânia foi visto nas proximidades do local da cova, que ela levou o carro para lavar e foi vista suja de barro. “A irmã foi a uma agropecuária e pergunta o que precisa para fazer um buraco. Ninguém viu o Evandro.”

E finalizou: “Não há qualquer elemento de que Evandro anuiu com o crime. Evandro não fez absolutamente nada”.

Fonte: Rádio Alto Uruguai - Com informações do TJ RS

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