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Barra do Guarita: Seca do rio Uruguai preocupa moradores na divisa do RS com SC

27 de fevereiro de 2020
Nível do rio Uruguai esteve muito baixo nos últimos dias (Fotos: Rádio Alto Uruguai)

A estiagem que atinge o Rio Grande do Sul nos últimos meses, chegou a proporções nunca vistas na divisa dos estados do RS e SC, nos municípios de Barra do Guarita, do lado gaúcho, e Itapiranga, no lado catarinense.

Registros fotográficos realizados no feriado de Carnaval mostram um rio praticamente seco, onde se pode atravessar de uma margem à outra, caminhando, por onde antes se encontrava o leito do majestoso rio Uruguai.

O morador, Luiz Carlos Corrêa, da cidade de Barra do Guarita, fez um relato à reportagem da Rádio Alto Uruguai do que está ocorrendo com o atual período de estiagem. Corrêa, que reside no município desde 1969 e é proprietário de uma empresa que presta serviços à unidade da JBS, em Itapiranga, afirma que já viu a maior enchente do rio Uruguai, no ano de 1983, e que agora está presenciando a maior seca da história. Ele se diz “surpreso” com o que está acontecendo.

Segundo Corrêa, a lancha que transporta a barca pelo rio Uruguai, fazendo a travessia entre o RS e SC, já estava se chocando contra as pedras, tendo de realizar a travessia em um ritmo bastante lento “para não enroscar e encalhar nas pedras do rio”. Ele também relata que filas se formaram, em ambos os lados do rio, à espera da barca.

Foz do Chapecó diz que hidrelétrica não tem conseguido operar com normalidade devido à estiagem

O baixo nível do rio Uruguai, causado pela falta de chuvas, levou à suspensão de geração de energia elétrica na Foz do Chapecó e também redução em outras hidrelétricas do Rio Uruguai, como a de Itá.

A assessoria de imprensa da Foz do Chapecó Energia S.A, que fica no rio Uruguai, entre Águas de Chapecó (SC) e Alpestre (RS), informou que desde janeiro a hidrelétrica tem operado com uma das turbinas totalmente parada e as outras três, ora operando com pouca geração, ou então só compensando, ou seja, funcionando sem gerar energia e sem verter água.

O motivo é que, nos dias 23 e 24 de fevereiro, por exemplo, o que chegava no lago era apenas 170 metros cúbicos por segundo, que eram liberados no vertedouro para manter o mínimo de água no rio Uruguai. Isso representa 170 caixas de água de mil litros. Porém, o rio Uruguai normalmente tem uma vazão próxima de 800 metros cúbicos por segundo. Na enchente de 2014, chegou a 30 mil metros cúbicos por segundo.

Pelo menos desde domingo não passava água pelas turbinas. Na manhã de terça-feira, com a chuva que ocorreu no Norte do RS e no Oeste de SC, foi liberado um pouco mais de 300 metros cúbicos por segundo. A hidrelétrica tem potencial de 855 megawatts, o que representa 25% da demanda de Santa Catarina. Mesmo sem essa geração, não há risco de faltar energia, pois a diminuição é compensada com energia gerada em outras regiões do país.

Ainda segundo a empresa que administra a usina, a liberação de mais água nas turbinas, que também já havia sido solicitada pela Foz do Chapecó para o Operador Nacional do Sistema, vai ajudar a passagem das balsas que existem no rio Uruguai, ligando Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. Em Itapiranga a travessia até Barra do Guarita-RS não chegou a ser suspensa, mas precisa de mais cuidado para não bater nas pedras.

Na quarta-feira, o nível do rio Uruguai voltou ao normal, em Itapiranga. A empresa então, emitiu uma nova nota sobre o assunto:

“A Foz do Chapecó Energia faz a gestão do reservatório da usina conforme determinações do Operador Nacional do Sistema (ONS). Desde o início do ano, em função do baixo volume de chuvas, a geração está reduzida. A Foz do Chapecó salienta que a redução na geração não impacta na vazão de água que deve ser liberada para o percurso abaixo da usina, sendo mantido o que determina a legislação.A Foz conversou com o ONS e pediu que fosse liberado mais água durante o dia por causa de Itapiranga”.

Às 16 horas de quarta-feira, a empresa estava com 65% da capacidade do seu reservatório e gerando energia normalmente, com vasão turbinada de 673 metros cúbicos por segundo. A produção de energia retornou ao normal entre seis e sete horas.
De acordo com dados publicados no site, a empresa ficou sem gerar energia entre as 5 horas da manhã do dia 24 e as 8 horas do dia 25, ou seja, por cerca de 27 horas. E mais um período de quatro horas na madrugada do dia 26. Mesmo assim, os vertedouros continuaram largando água com vazão que chegou a 170 metros cúbicos por segundo.

O nível na régua de medição no porto Aruí, em Itapiranga, estava em cerca de 85 cm na quarta-feira. Na segunda-feira, chegou na casa dos 40 cm.

Proprietário do serviço de balsa questiona número de Foz do Chapecó

A chuva que caiu no feirado de Carnaval ajudou a elevar minimamente o nível do rio Uruguai e, por isso, já na quarta-feira (26), duas barcas trabalharam na travessia entre RS e SC. A informação foi confirmada pelo proprietário da Barca Aliança, Sírio Brand.

Em contato com a reportagem da Rádio Alto Uruguai, Sírio afirma que a culpa do nível do rio Uruguai estar muito baixo não seria apenas da falta de chuvas, mas também pela pouca vazão de água que é controlada pelas comportas da barragem da usina Foz do Chapecó.

Sírio, inclusive, cita uma possível “maquiagem” nos dados fornecidos na vazão de água da barragem, já que meses atrás, mesmo sem estiagem, “os rebocadores das barcas também estavam enroscando nas pedras no meio do rio Uruguai”.

Ele também encaminhou planilha da ANA (Agência Nacional de Águas), onde alega que a vazão demonstra que as comportas da usina deveriam estar liberando um volume maior de água.

Fonte: Rádio Alto Uruguai (com informações dos sites Peperi e NSC Total)

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